Charlie Hebdo

nanquim

 

 

 

 

Estava em pleno andamento com esse trabalho sobre desenho de humor e a charge, do livro o Boné do Bufão, sua importância e seus processos de como estruturar um desenho e me deparo com a notícia dada no Facebook, por Ricardo Manhaes – quadrinista brasileiro que morou na França nos anos 2000 -, de que a revista francesa Charlie Hebdo sofreu um ataque terrorista e morreram assassinados covardemente 12 pessoas, sendo que quatro de seus maiores desenhistas e ícones do desenho de humor da atualidade, inclusive Wolinski, criador de Paulette, um dos precursores dos quadrinhos eróticos europeus e mundiais, de quem eu era fã.
Aos poucos a ficha vai caindo junto com as notícias, até então desencontradas, o panorama vai se formando ao longo daquele dia de Sete de janeiro, a perplexidade vai tomando conta do mundo e me fazendo refletir sobre a difícil função da charge. Já vinha pensando sobre sua complexidade no começo dessa pesquisa quando lembrava da revista, também francesa, La Caricature (1830) e seus irreverentes desenhistas, os principais deles, Honoré Daumier e Charles Philipon, em uma época que o rei era tudo e o todo poderoso, e que nem a ele perdoavam, fazendo de Luis Felipe de Orleans uma de suas vítimas, pagando algumas vezes até com prisão, mas não se intimidavam.
Tem os franceses sim, uma longa tradição em charges, assim como nos quadrinhos os maiores desenhistas começam lá, os famosos desenhistas de humor com seus traços tão peculiares conhecidos como franco-belga do Asterix, de Uderzo e Goscinny, ou Tintim, de Hergé, assim como a revista Heavy Metal é originada da Metal Hurlant de onde surgiram ícones como Moebius entre tantos outros… e com essa imensa história de passado, nos tempos contemporâneos, em 1970, começa a circular a Charlie Hebdo que faz do presente, em um momento que o mundo vive uma crise de identidade, um chamado para a liberdade de expressão.

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